O
Brasil precisa tomar partido das oportunidades do mundo
globalizado, mas para isto deve apostar em inovação.
A análise é de Ozires Silva, ex-presidente
da Embraer, Petrobrás e Varig, atual presidente do
Conselho de Administração da Pele Nova. Ele
participou nesta terça-feira (12/09) do CEO Fórum
promovido pela Amcham (Câmara Americana de Comércio),
em Porto Alegre.
"É fundamental
que o País tenha educação estruturada
e investimentos em pesquisa. As empresas de sucesso são
as que apostaram em inovação, como no caso
da Embraer. A economia nos últimos anos passou de
industrial para a do conhecimento", afirmou Ozires
Silva. De acordo com o executivo, três commodities
são importantes para um país que pretende
crescer: competência, informação e tecnologia.
"A renovação passou a ser contínua
e rápida", pondera em referência ao caso
da Airbus, que acaba de fazer o vôo teste do A380
no sudoeste da França, modelo desenvolvido em apenas
cinco anos. Trata-se do maior avião comercial do
mundo, que poderá transportar 555 passageiros em
configuração típica em três classes,
e até 840 passageiros em vôo charter.
Embraer é exemplo
de como empresas podem crescer
Segundo Ozires Silva muitos
empresários podem seguir o exemplo da Embraer para
ampliar negócios e conquistar novos mercados.
Segundo ele, a companhia
teve sucesso baseada nos seguintes aspectos:
-
Encontrou seu nicho de mercado
-
Marca própria
-
Investimento em tecnologia
-
Autonomia na rede de vendas
"Vamos esquecer a parte
do hino de 'deitar em berço esplêndido'. É
preciso correr um certo risco e investir em projetos inovadores.
São eles os que poderão garantir maiores retornos",
destaca. Para Ozires, o País precisa acreditar no
potencial. " O primeiro produto da Embraer foi o Bandeirante
em 1965, que foi desvalorizado internamente, mas na Austrália
há até um livro que destaca a saga deste avião
e nos Estados Unidos ainda está voando em quantidade",
alfineta Ozires sobre a postura cômoda e descrente
do país.
Desafios para os próximos
anos
De acordo com o empresário,
o País vive um momento crucial para conquistar novos
mercados e não pode perder espaço para outros
países em desenvolvimento. Ele indica os principais
desafios para o crescimento:
- Aceleração do conhecimento,
com melhoria da educação
- Substituição do petróleo
- investimentos em combustíveis alternativos
- Cultura do Meio Ambiente
- Investimentos em Tecnologia da Informação
Além destes pontos,
para Ozires Silva a máquina do Estado precisa ser
mais eficiente. " Hoje parece que os ministérios
não fazem parte do mesmo governo, como vimos no caso
da Varig, em que o ministério da Defesa tinha uma
posição e o da Fazenda, outra", destaca.
Ainda no caso Varig, avalia, prevaleceu a posição
do ministério da Fazenda, e não conceder recursos
públicos para salvar a empresa.
Ele também defende
a simplificação da legislação
no País. " Desde 1988, época da última
Constituição, foram editados 3, 3 milhões
de decretos e leis. É muito, para cerca de 20 anos.
Isto prejudica o ambiente de negócios no país",
concluiu.
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