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A INOVAÇÃO E A TECNOLOGIA Poderosas Alavancas para o Desenvolvimento

Ozires Silva Especial para a SENIOR Sistemas Nov. 2006

No final do Século passado, os tradicionais recursos básicos da produção - eleitos pelos economistas como sendo Capital e Recursos Naturais -, já foram suplementados, ou substituídos, pelo Conhecimento, que agregando valor aos produtos produz conseqüências e resultados expressivos para muitos países. As nações mais ricas embarcaram com sucesso no processo e apresentam pautas de produtos cada vez mais distantes das matérias-primas, embora muitas delas sejam realmente pobres em recursos naturais, como o Japão e Coréia.

Enquanto isto os países periféricos, como o nosso, perdem terreno com rapidez na sua participação no bolo global da economia.Muito, ou quase tudo disto vem do fenômeno da INOVAÇÃO, que tem sido a mola mestra do sucesso dos segmentos produtivos de diferentes países. Embora o processo inovador tenha sido no passado fruto da inspiração e executada muitas vezes por indivíduos isolados, instalados nos fundos de suas casas, hoje ela é o resultado de esforço sistemático e de alto grau de organização em ambientes de diversidade e descentralização.

Cremos que, muito mais do que as discussões, devemos tentar medir os resultados dos esforços sistemáticos que se aplica para atingir determinados objetivos. É neste ponto que parecem residir os maiores obstáculos para os crescentemente pesados investimentos requeridos para o lançamento de novos produtos ou serviços, isto é, como obter resultados dentro do período de tempo disponível e respeitando os volumes de recursos alocados. Os riscos de tais alternativas podem ser avaliados como grandes e a certeza do sucesso pode não ser maior, contudo não parece haver caminho melhor para o êxito e para ganhar posições no mercado competitivo, do que manter acelerado ritmo de inovação. Isto é mostrado pelo imenso empenho que as grandes (e pequenas) corporações têm colocado em programas de pesquisas e desenvolvimento, numa época em que os consumidores, cada vez mais, lutam para gastar menos, mas aceitam novos produtos quebrando a fidelidade tradicional em relação a marcas longamente estabelecidas no comércio.

Um dos fenômenos mais importantes da globalização, e que por vezes dele não nos apercebemos, é que os consumidores estão se desnacionalizando progressivamente. Mesmo nos Estados Unidos que, até 20 ou 30 anos atrás, era um país de produtos 100% nacionais, hoje enfrentam pesados déficits no comércio exterior. Por esta razão as empresas mais inovadoras, sem dúvida as de maior sucesso no mercado mundial, insistem em aumentar de maneira quase que assombrosa os seus orçamentos para novos e competitivos produtos, fabricados com crescente qualidade e a preços cada vez menores, graças aos paralelos ganhos de produtividade. Infelizmente no Brasil, pesando nossas tradicionais dificuldades para se ter números confiáveis, não sabemos o quanto as empresas privadas investem em novos conhecimentos, técnicas e processos. No entanto, nos países mais desenvolvidos sabe-se que os recursos financeiros para a ciência e tecnologia são primariamente de origem privada e excedem aquilo que os respectivos Governos investem no setor.

A prosperidade econômica das empresas não é um jogo de soma zero, uma vez que o sucesso de uma não implica no fracasso de outra. Ao contrário, a competição é sempre salutar e resulta em diretos benefícios para o consumidor, gerando resultados econômicos para os participantes que, em sua soma, leva ao crescimento do padrão de vida de um país e de sua população.

A emergência de novas tecnologias nos faz atravessar uma transição importante que obriga as organizações a repensarem seus modelos e projetos de negócios. As grandes empresas que possuem recursos financeiros não têm mais garantido o primeiro lugar. Hoje em dia, uma organização pequena e flexível pode superar um grande competidor, podendo oferecer padrões mais altos de qualidade e de produtividade, que lhe permitam levar ao mercado bens e serviços atrativos aos seus clientes.

Estamos no tempo de desafios no qual líderes deverão assumir suas posições e com coragem promoverem as diferenças entre os costumes e comportamentos atuais para aqueles que serão necessários no futuro. Estamos hoje apenas iniciando um terceiro milênio. Esta efetivamente é uma marca importante e, ao mesmo tempo, desafiante para lograrmos novos posicionamentos no incrivelmente competitivo mundo moderno, agora global.