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A GLOBALIZAÇÃO VEIO PARA FICAR
Ozires Silva Especial para GAZETA MERCANTIL 25 Maio 2007

Realmente, as mudanças mundiais, ocorridas a partir do progresso das comunicações universais e instantâneas – ocorridas desde o final da última década do Século XX e tornadas possíveis pelos extraordinários avanços da eletrônica e da tecnologia das informações – ainda não estão sedimentadas e compreendidas pela maioria dos cidadãos e de significativas parcelas dos povos.

Esse fenômeno econômico, convencionado e rotulado como GLOBALIZAÇÃO, se caracteriza pela possibilidade de tornar possível a compra de produtos de todos os países em todos os lugares do mundo. Foi o resultado da queda, progressivamente mais intensa, das tradicionais barreiras tarifárias que muitos governos usaram, sobretudo a partir do final da II Guerra Mundial, para proteger as iniciativas produtivas nacionais contra a entrada de manufaturas estrangeiras. No Brasil, tal sistema de proteção foi conhecido como veto aos “similares” àqueles segmentos de produção local que já se encontravam no mercado.

Na atualidade, não mais há espaço para essas ações dos governos ou diplomáticas que possam fazer renascer tais restrições, limitando os consumidores a ter acesso a produtos que possam satisfazer suas necessidades individuais ou coletivas. Em outras palavras, o resultado foi um enfraquecimento das fronteiras políticas, tradicionalmente criadas por culturas agora ultrapassadas.

Os reflexos sobre as empresas produtoras têm sido duros e cada vez mais exigindo ações eficazes de manutenção do poder competitivo. Técnicas, métodos e processos tiveram de ser concebidos e aplicados, com eficiência, para que os produtos domésticos possam garantir suas respectivas posições no mercado, buscando atenuar os efeitos da presença e da competição global. A regra está centrada na permanente inovação, no aumento da qualidade e na redução dos custos, garantindo os melhores preços possíveis aos consumidores.

É este o tipo de mundo que a empresa moderna tem de viver e prosperar. E tudo isso não se interromperá. Ao contrário, todas as projeções caminham na direção de que o fenômeno se intensificará. Ganha o comprador, esteja ele onde estiver!

Muitos trabalhos de estudo e de análise foram e estão sendo publicados em todo o mundo somando tentativas para ajudar os empreendedores a entender o que está acontecendo, de forma a determinar estratégias e mecanismos de ações empresariais no mundo competitivo da atualidade. Há uma constante unanimidade nas conclusões indicando que a diversificação e a intensa participação da atividade industrial, buscando produtos progressivamente de maior valor agregado, estejam na base do desenvolvimento econômico de regiões e de países. As mesmas conclusões também determinam que o progresso e o crescimento nacionais não acontecem por acaso.

No passado, os Tigres Asiáticos causaram surpresa pela sua aparição competitiva no mundo, mostrando a região mais antiga do mundo comandar um processo de renovação. Hoje, a China e Índia – países complexos com diferentes culturas regionais, etnias e religiões – provocam impactos sempre comentados, graças aos resultados que estão conseguindo em campos que, há pouco, eram reservados para os povos mais adiantados.

Tais avanços e inovações do sistema produtivo desses países têm sido identificados e ocorrem com base em planejamentos governamentais que, com a participação do setor empreendedor, empresarial e da cidadania, materializam diferenças e aportam riquezas impensadas. O que se identifica nesses planejamentos tem sido a constante adaptabilidade dos respectivos ambientes nacionais às mudanças e às circunstâncias. Não parece ter sido fácil conseguir tais resultados, pois há crenças de que as comunidades aspiram progresso mas tendem a rejeitar novas alternativas e horizontes, sobretudo aquelas que ferem interesses individuais.

É impressionante notar que as mudanças nos cenários atuais ocorrem com surpreendente velocidade, ao lado de crescente volatilidade, dando origem à riqueza de países e de regiões que aceitaram as novas regras. Assim, foram liquidados espaços cativos e de privilégios, nos quais prevaleciam a exclusividade e o protecionismo.

Muitos analistas projetam a futura “asiatização” do mundo. No entanto, o ambiente competitivo pode mudar essas predições, uma vez que as iniciativas estão abertas às iniciativas de outros interessados. Mesmo a nossa América Latina, cujas culturas e comportamentos históricos a colocou na retaguarda de outras regiões, pode, usando sensos de oportunidades e materializando planejamentos adequados, sucedidos de ações eficazes, alterar a direção do que se pensa hoje e assumir lideranças em segmentos insuspeitados.

Exemplos não faltam por aqui. Aviões brasileiros, de criação e concepção nacionais, voam nos céus de quase 70 países, liderando o segmento da aviação de transporte regional mundial. E isto aconteceu nos últimos 30 anos. No clima avançado e rápido de hoje outros resultados podem ser conquistados em menos tempo.

Será que seremos capazes de gerar estratégias e produzir mudanças para que o vaticínio atual de “asiatização” do futuro possa ser alterado?