TENTANDO SACUDIR A POEIRA
Ozires Silva Especial para a Gazeta Mercantil
26 Mar2007
Muito se pode falar dos desafios
que o mundo moderno coloca em frente das pessoas, das organizações
e dos próprios países como condições
fundamentais para o progresso, o crescimento e o desenvolvimento
econômico.
Na atualidade alguns aspectos
já fazem parte dos consensos generalizados. Educação
dos povos, por exemplo. Ninguém contesta a formidável
potência da educação e do treinamento
como fatores impulsionadores do avanço, sejam para
os indivíduos ou para empresas e nações.
Talvez não seja necessário
martelar sobre temas consensuais, embora infelizmente no
nosso Brasil, os óbvios não parecem ser muito
comuns e, ainda, vários deles têm sido discutidos
em longos seminários, mais voltados a diagnósticos
do que às soluções. Afinal, temos uma
cultura mais de problemas do que para resultados.
Há tempos que o mundo
está vivendo intensas mudanças e, o que é
certo, elas se intensificarão no futuro em velocidade
e em objetivos. Gastam-se hoje quantias imensas em pesquisas
e desenvolvimento. Em todo o mundo, há milhões
de boas cabeças dedicadas a simplesmente pensar e
tentar ver, em cada solução, em cada produto,
um ângulo novo.
Tudo o que está pronto
e a disposição do consumo foi concebido, produzido
e distribuído por alguém. Pensemos na cadeia
de iniciativas e de ações que precedeu e aconteceu
para que este jornal esteja agora em suas mãos. Em
cada uma das etapas houve um bocado de trabalho de criação,
de concepção, de fabricação,
de aplicação, etc. Assim, a fabricação
de produtos atrativos e suas vendas em escalas que justifiquem
os investimentos estão na base de tudo.
Pensemos agora no que não
está aqui e poderia estar. Pergunta-se: algo de diferente
poderia ter sido feito? Claro! Pode-se conceber uma quantidade
de alternativas. No entanto, o que parece ser importante
é explorar as oportunidades, ou seja, procurar ver
as coisas sob novos ângulos.
Há alguns anos, cientistas
alertaram o mundo para o perigo que se desenvolvia com a
dissipação da camada de ozona que circunda
nosso planeta, esta uma capa protetora, concebida pela natureza
para a proteção e o desenvolvimento dos seres
vivos. Determinaram que uma causa provável seriam
os compostos de cloro, em particular, o CFC – gás
que, por suas características de mudança de
estado, tem sido largamente utilizado nos sistemas gerais
de refrigeração. Como resultado, todos passaram
a procurar um substituto para o gás, esquecendo-se
que poderia haver alternativas se inventando um novo tipo
de refrigeração. Em outras palavras, possivelmente
ninguém, ou poucos, pensaram em desenvolver um outro
tipo de sistema, por exemplo, que pudesse eliminar ou alterar
o compressor de modo a não necessitar de nenhum gás.
Outro exemplo. Há
anos fala-se na poluição perigosa para o meio
ambiente, determinada pelos motores de combustão
interna que na atualidade são os dispositivos fundamentais
para o nosso sistema mundial de propulsão mecânica,
ou mais simplesmente, o transporte automotivo. Retiramos
das entranhas da Terra hidrocarbonetos (portanto fora do
nosso eco-sistema natural), e que posteriormente são
lançados na atmosfera a uma taxa impressionante de
cerca de dez milhões de toneladas por dia. Do mesmo
modo que, no tema da refrigeração, buscam-se
novos e melhores combustíveis e pouco se pensa numa
alternativa para se eliminar os atuais motores dos nossos
veículos, inventados há mais de 100 anos e
que, do ponto de vista mecânico são realmente
uma bonita complicação.
Assim, seguindo a mesma
linha de raciocínio, pode-se identificar uma enorme
gama de produtos, que nos circundam todo o tempo, que poderiam
ser substituídos por coisas melhores, mais eficientes
e mais adaptados ao uso comum de todos os dias.
Aí é que se
centra a criatividade. Ou seja, a capacidade que podemos
desenvolver para fugir da rotina ou das soluções
consagradas. Ousar a mudar, embora seja muito comum se encontrar
resistências. Afinal, sempre a velha Lei de Newton
é aplicada: Qualquer condição de repouso
ou de velocidade constante, somente pode ser alterada por
uma força externa.
Uma proposição
que se coloca, bem ajustada para o nosso Brasil, poderia
ser a busca dessa força externa dando-nos, dentro
de programas estruturados e vocacionados, mais capacidade
competitiva e mais participação no bonito
panorama mundial de uma economia agora global. |