O MUNDO ESTÁ VOANDO CADA VEZ
MAIS!
Ozires Silva
Especial para Avião Revue
Setembro 2007
Claramente, o desenvolvimento
dos negócios e da prosperidade das empresas, das
organizações e dos países cada vez
mais passa pela necessidade de meios de transporte fáceis,
rápidos, eficientes e seguros. Isto tudo hoje é
conseguido graças ao impressionante ritmo com que
variadas e novas tecnologias são introduzidas nos
projetos e na construção dos modernos veículos
de transporte, lazer ou corporativos. O avião,
em particular, é um expressivo exemplo desse cenário
que, embora desafiante, vem mostrando progressos em todos
os setores e regiões.
Vivemos um mundo
novo que se multiplica em alternativas, mas o único
entre os modais disponíveis para ligar cidades
e países, com uma rapidez distante das outras formas
de viajar, é o avião. Assim, considerando
que os serviços prestados às populações
são concessões públicas, gerenciadas
pelas autoridades locais, governadas por normas e regulamentos
subscritos internacionalmente, fica colocado que é
responsabilidade das autoridades garantirem todos os meios
e modos para que os benefícios do vôo, e
de outros serviços de infra-estrutura, funcionem
com o grau de segurança e de eficácia exigidas
pelo mundo moderno.
No transporte aéreo, a IATA
- Associação
Internacional do Transporte Aéreo - informa que
suas empresas associadas transportaram mais de 2 bilhões
de passageiros no ano passado, registrando um crescimento
de 5,9% até Julho de 2007, com fatores de ocupação
dos assentos a bordo, registrando a média de mais
de 76%, o que é um recorde histórico. No
verão do Hemisfério Norte de 2007, números
fantásticos foram conseguidos, impulsionados pela
redução do consumo de combustíveis
da ordem de 10%, adicionados a um aumento da produtividade
de mais de 50% nas operações. Estes dois
fatores, de uma forma direta levaram as linhas aéreas
a registrarem seus primeiros lucros, desde os atentados
de Setembro de 2001.
Na redução do consumo combustível
(item do maior significado na formação dos
custos operacionais dos aviões), reconhecimento
foi estendido aos esforços dos produtores de motores
e das próprias aeronaves que, através de
aplicações de conhecimentos novos em aero-termodinâmica,
estão conseguindo notáveis resultados para
o desempenho operacional e performance das aeronaves modernas.
Estes esforços conjuntos estão dando resultados
globais. No setor das cargas aéreas, porcentuais
de crescimento superiores a 5% sobre o ano passado estão
sendo constatados, com a liderança na área
da Ásia do Pacífico.
Não termina por aí o que se conseguiu. Na
área da aviação civil, envolvendo
tudo que não seja transporte aéreo, os dados
das operações estão retratados nas
excepcionais vendas de aviões privados e corporativos.
Recordes estão sendo quebrados a cada ano. Somente,
no setor dos jatos de pequeno porte, entre 6 e 9 passageiros,
todos os fabricantes mundiais – a EMBRAER
incluída – indicam que estão com suas
carteiras de produção vendidas para os próximos
quatro anos. As iniciativas estão claras, as empresas
estão recrutando trabalhadores, investindo em treinamento
de forma intensiva e aumentando a jornada de trabalho,
tudo num esforço para reduzir os prazos de entrega
dos seus produtos, num clima de demanda extremamente aquecida.
Tudo está sendo conseguido, dentro da regra universal
de competitividade global, a despeito dos inúmeros
problemas ainda a serem enfrentados, em particular na
área dos Governos. Clama e lamenta a
IATA
que as autoridades não
estão acompanhando esses passos, mantendo-se atrelados
a leis e normas ultrapassadas, longe da desregulamentação
necessária e da simplificação do
negócio. Adicionalmente, salienta a Associação,
não perceberam que a acentuada redução
dos preços das passagens aéreas, já
conseguida e beneficiando os usuários de todo o
mundo, reflete um esforço do setor operativo, pouco
ou nada recebendo das concessões de um serviço
público, ainda burocraticamente estruturado e distante
da flexibilidade exigida pelo tráfego e pelos tempos
modernos nos quais vivemos.
Nas áreas dos aeroportos concentram-se muitos dos
problemas a serem enfrentados e resolvidos. Continua a
IATA,
ao longo de seus relatórios publicados recentemente,
expressando que os dirigentes dos sistemas aeroportuários
ainda se mantêm longe das modificações
de procedimentos, essenciais para a redução
das filas que congestionam embarques e desembarques, seguindo
trâmites que de há muito deveriam ter sido
substituídos.
Enfim, como afirma a IATA,
os diagnósticos existem, estão prontos e
colocados. Por todo o mundo os responsáveis pelos
grandes resultados conseguidos pelo transporte aéreo
internacional reclamam. É tempo de uma reação
das autoridades revendo o que foi feito e é tempo
de olhar para o futuro com confiança. O transporte
aéreo, as operações da aviação
civil, em todos os países, não é
mais coisa que atende somente a uma elite reduzida. Tudo
se democratizou e está ao acesso dos investidores
e criadores das riquezas. Não se pode falhar e
deixar de atender essas postulações legítimas
que virão favorecer, ainda mais, os bilhões
de usuários desse serviço essencial. Ninguém
pode se frustrar por insuficiência das posturas
regulamentares que precisam acrescentar valores positivos
no que está se conseguindo na operação
e na fabricação de equipamentos, dentro
de um fantástico sistema de vôo que o homem
soube criar.