OS DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO
Ozires Silva
Especial para a Gazeta Mercantil
20 Agosto 2007
Por tudo o que aconteceu
no passado e que está acontecendo nestes momentos
de perplexidade, de imediatismo e de impotência da
cidadania, para nós – os brasileiros –,
há um debate que deveria nos preocupar, cabendo a
pergunta:
QUE TIPO DE SOCIEDADE QUEREMOS?
Muitos podem ter a convicção
que, mesmo encontrando respostas satisfatórias, a
questão seguinte surgiria de resposta igualmente
difícil:
COMO FAZER COM QUE OS OBJETIVOS IMAGINADOS
POSSAM SER TRANSFORMADOS EM AÇÕES FUNDAMENTAIS,
CAPAZES DE IMPULSIONAR AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS?
Comentários vários indicam
que carecemos de líderes capazes de abrir discussões
e entre outros atributos alargar canais de comunicação
com os diversos segmentos da sociedade sobre temas, os mais
variados. Embora sintamos hoje uma real subordinação
aos pensamentos daqueles que ocupam cargos oficiais, os
quais procuram estar presentes em todos os espaços,
sentarem-se às mesas principais dos principais eventos,
sempre falando e pouco ouvindo, a cidadania precisa procurar
aprender mais sobre democracia, sobre as formas de influenciar
o segmento político e como agir dentro da burocracia
governamental.
Na década dos 1960, os norte-americanos
compreenderam que precisavam colocar os governantes sob
pressão, ouvindo e executando o que pudesse emergir
da vontade popular. Transformando o pensamento geral da
época em ações regulamentaram o instituto
do “lobby”, transformando-o em Lei Federal,
com ascendência às normas legais estaduais.
Desde então, uma nova atividade profissional se desenvolveu
e, hoje, uma quantidade de pessoas ou de empresas estão
dedicadas, sob contrato das partes interessadas, a exercer
influência sobre as autoridades para levar a decisões
oficiais e governamentais em direções orquestradas
pelos mais diferentes grupo de pressão.
Tudo isso foi feito segundo uma finalidade
explícita. Ampliar o poder de influência dos
cidadãos nas grandes questões nacionais, procurando
estabelecer focos de ações que respondam às
necessidades dos grupos de interesse e de abrir espaços
para novas idéias e iniciativas.
Infelizmente no Brasil, o que se observa
hoje, é um verdadeiro divórcio que desenha
o quadro decisório e regulamentar local ou federal.
São grandes as distâncias entre o Governo e
a sociedade organizada, entre as empresas e a academia,
entre os governados e os governantes, e assim por diante.
De quem seria a culpa por tais separações
e se elas não existissem quais seriam os benefícios
a serem conseguidos? É preciso entender que não
se trata de discutir com antagônicos, pois temos de
acreditar que prevalece o bom senso e o espírito
público, tanto dos cidadãos como dos governantes
detentores de cargo público, eleitos ou não.
O mundo mudou e continuará mudando,
por força das comunicações universais
e instantâneas. Relatórios internacionais revelam
sucessos freqüentes de lançamento de novos empreendimentos
que têm levado o progresso e o desenvolvimento a uma
quantidade de regiões em todos os quadrantes do planeta.
Estes fenômenos globais que na atualidade colocam
o cidadão comum informado com o que está acontecendo
em todo o mundo influenciaram intensamente os consumidores,
os quais, até há pouco eram aprisionados dentro
das amarras legais das fronteiras políticas dos países.
Hoje os compradores podem comprar produtos de todo o mundo
em todos os lugares imagináveis. É o fenômeno
incoercível da globalização da economia
que veio para ficar e, com vigor, continua a criar e impulsionar
fatores produtivos, muitos deles ainda não imaginados.
Por outro lado os produtores sabem que o
seu concorrente não está necessariamente na
esquina de suas casas. Eles podem estar em qualquer lugar
do mundo, contando ou não com a presença de
concorrentes, oferecendo ou não algo melhor que possa
interessar os consumidores e ganhando ou não a competição
para atrair melhor a clientela. Do mesmo modo, também
sabem que, com a economia cada vez mais aberta e estabilizada
– segundo taxas de inflação controlada
– e com um mercado visto sob uma ótica mundial
- quem não for eficiente, moderno e agressivo, será
mais cedo ou mais tarde excluído.
Sob o impacto desta visão mundial,
aberta e competitiva, temos pelo menos cinco problemas básicos
que precisam ser discutidos, tenhamos ou não um quadro
político favorável no Legislativo ou no Executivo:
baixar os impostos, reduzir as taxas de juros, investir
na infra-estrutura material, aprimorar e intensificar os
empreendimentos na área da educação
e simplificar intensamente a burocracia governamental, que
tantas dores de cabeça dão ao cidadão.
Paralelamente, aumentar a eficiência dos serviços
públicos, em particular os do judiciário,
cuja lentidão tem levado a injustiças pesadas
a muitos empreendimentos e cidadãos, em particular
os mais humildes. Buscar planejar e visualizar, com a amplitude
possível, os horizontes futuros das demandas de energia
e do posicionamento nacional em face da concorrência
global do mercado mundial.
Sabemos que todas essas medidas, e muitas
outras necessárias, podem depender de qualquer dos
níveis de governo. Nesse é o ponto que a sociedade
organizada precisa atuar, fazendo com que se tomem importantes
as ações. Será possível a criação
de pressão para fazer com que tudo possa acontecer,
com a velocidade imposta por um mundo que cresce vertiginosamente? |