A BUSCA INCESSANTE DOS TALENTOS
Ozires Silva
Especial para GAZETA MERCANTIL
12 Novembro 2007
O
que vem a ser a globalização? Sem dúvida,
é um fenômeno derivado diretamente das comunicações
universais e instantâneas, permitindo que pessoas
em qualquer lugar do mundo possam obter, fácil
e diretamente, qualquer informação, usando
os mecanismos criativamente oferecidos pela Tecnologia
da Informação e pela disseminação
dos meios de comunicação. E a globalização
vai mais longe, produtos de todas as origens já
estão em todos os lugares. Por outro lado, se já
não desapareceram, estão em processo de
extinção, as antigas alíquotas de
impostos de importação, criadas pelos governos
para proteger as indústrias nacionais, cujo resultado
direto foi simplesmente limitar o acesso do cidadão
comum aos produtos de um mundo que se encolhe rapidamente.
O que se conseguiu, com essas interferências governamentais
que deformam as lutas universais pela liberdade dos cidadãos
foi, também simplesmente, globalizar o contrabando,
com todos os seus efeitos nocivos conhecidos e exercidos
sobre a sociedade.
Essa ampla e aberta disseminação
de informações e de produtos, embora possam
ser consideradas lógicas e normais pelo cidadão
comum, ela somente foi possível graças a
um enorme esforço de padronização
que ganhou corpo, criando e sendo aceitos globalmente
métodos e processos na transmissão e na
interconexão da enorme massa de dados e de produtos
que circula pelo mundo. Esses resultados fantásticos,
não contabilizados pelo usuário global,
representam saltos de extremo valor para fortalecer e
acelerar o processo universal da globalização.
No entanto, há
algo que precisamos observar. Os produtos, em geral, têm
ganhado valor em relação ao seu peso próprio,
valor esse que pode ser relacionado com seu preço
ou com sua utilização. É fácil
observar que, há poucos anos tudo era mais simples.
Por exemplo, um telefone era somente usado para se comunicar.
Hoje, a comunicação é apenas um entre
vários atributos de um celular. Um televisor, branco
e preto, nada tem mais a ver com seu equivalente moderno.
Embora, os preços de comercialização
possam ter se reduzido, isto pode ter ocorrido em face
de métodos e de produção mais sofisticados
e eficientes, a constatação é que
um produto moderno coloca-se agora bem mais distante das
matérias primas que os originaram.
Vale a pergunta: Como
são conseguidos tais produtos que ganham o mundo
e justificam o sucesso de empresas, organizações,
regiões e países? Ora, concordam os analistas,
são resultados de concepções criativas,
fabricadas e vendidas por pessoas de talento, inovadoras
e... corajosas. E, pergunta-se: Tais talentos, como surgem
e de onde vêm? Quem são e porque os talentosos
se diferenciam das demais pessoas? Poderiam ser formados,
treinados e preparados de forma específica e eficiente?
Estas são questões, ainda pendentes, feitas
por especialistas em recursos humanos, sempre pressionados
para identificar talentos e os recrutar. Em grande medida
ainda se buscam respostas!
Os talentosos parecem
cultivar valores e motivações diferentes
das demais pessoas. Muito se espera deles e, em contrapartida,
eles também esperam muito em termos de retorno
pessoal. Parece também que pensam melhor e mais
rapidamente do que a maioria, mas se aborrecem mais rapidamente
com o imobilismo, muito característico do que se
observa nas linhas de produção, cujos custos
para alterar podem não ser compreendidos ou aceitos
pelo sistema gerencial.
Eles são diferentes
dos demais e certamente precisam de gerentes que os entendam,
que possam deles extrair o melhor que possam oferecer.
Enfim, tudo parece se resumir num único ponto.
Cada empreendimento precisa contar com a competência
do seu time de colaboradores. Eles, se de um lado contribuem
para produzir riquezas, precisam em contrapartida de reconhecimento
e de estímulos.
É impressionante
se constatar que a cultura, muito aceita pela maioria
das pessoas, é que todos sejam iguais, resultando
numa tendência de nivelamento estabelecendo regras
generalizadas, por vezes usando até comparações
matemáticas e padronizadas entre pessoas, esquecendo-se
o recado constante da mãe natureza que nos produz
todos diferentes. Embora sejamos hoje seis bilhões
no mundo moderno, entre os seres humanos habitando o Planeta
não se encontra dois iguais.
Sabe-se que tratamentos
iguais podem não prevalecer, mas não se
deveria deixar de tentar a identificação
daqueles que podem mudar o mundo em que vivemos e a eles
dedicar uma atenção particular, oferecendo-lhes
ambientes operativos que não inibam sua capacidade
de inovar e de criar.
A lição
que fica indica que não se deveria subestimar os
possíveis impactos criados por pessoas talentosas.
Elas podem transformar o ambiente em que vivemos. Basta
olhar ao nosso derredor e nos lembrarmos de quem criou
ou produziu aquilo que estamos usando neste preciso momento
e perguntar como tudo surgiu? Quem produziu tantas realizações,
invenções e soluções contribuintes
para que nossas vidas sejam mais fáceis e práticas?
Tudo isto, precisamos refletir e agir, deixando espaço
para que as cabeças inteligentes façam o
seu trabalho, lembrando-nos que serão delas a determinação
das tendências e de novos horizontes no futuro.