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O PEQUENO ENTUSIASMO PELO SUCESSO
Ozires Silva Especial para a Gazeta Mercantil 16 Abr 2007

Vivemos num novo continente, descoberto pelo espírito colonizador dos europeus, em particular portugueses e espanhóis, que na busca de riquezas do além-mar encontraram aqui muito mais do que esperavam, criando nações, as mais variadas, algumas delas que conseguiram conquistar posicionamentos internacionais diferenciados. No Norte, progressos materiais significativos e comparáveis com os melhores do mundo, enquanto no Sul as diferenças são bastantes mais marcantes e menos satisfatórias.

As descobertas das diferentes Américas ocorreram mais ou menos ao mesmo tempo, o que confere ao Sul praticamente a mesma idade para do Norte. Portanto, cabe a pergunta: O que nos aconteceu? Os americanos do Norte construíram bases para o desenvolvimento econômico e para culturas entre as mais avançadas, enquanto no Sul continuamos a ser os países do futuro. Qual é esse futuro, ainda não o sabemos, e, se persistirmos nos caminhos percorridos, estaremos arriscados ao desconhecido, embora saibamos que o progresso não acontece por acaso.

O mundo demonstrou claramente que as diferenças de culturas pesam significativamente. Mas, mesmo sob estas condições concordadas como desvantajosas, será que não se poderia construir um mundo melhor para os bons povos que caracterizam o território desta parte das Américas?
Olhando para uma quantidade de projetos de êxito por aqui realizados tudo indica que não há razões para desesperos ou para desesperanças em relação ao que pode ser feito. Países latinos na Europa estão demonstrando que nossas origens étnicas ou religiosas não podem ser consideradas culpadas pela pobreza endêmica que afeta parcelas significativas dos americanos do centro e do sul.

Não sendo sociólogo, posso somente argumentar com base em experiências longas e densas dedicadas às atividades criativas e construtivas. Tendo trabalhado no país com equipes, compostas de técnicos e especialistas das mais diferentes origens locais e internacionais, tendo convivido e negociado com destacadas instituições industriais e comerciais do mundo mais desenvolvido, confesso que não encontrei diferenças marcantes. Encontrei líderes esclarecidos e com iniciativas por aqui e lá fora.

Assim, aonde teriam origem os problemas que vivemos e como são formuladas as soluções que não nos agradam ou não colocamos em prática?

Responder às essas questões são propósitos difíceis e podem gerar prolongadas discussões. Todavia há indícios de iniciativas e comportamentos que nos parecem ser importantes para identificar numa tentativa, se efetivamente houver uma intenção de mudanças, responder sobre o que fazer.

Um recente estudo divulgado pelo Instituto Mundial de Pesquisas Econômicas de Helsinki (Finlândia), vinculado à Universidade das Nações Unidas, constatou que apenas 2% dos adultos de todo o planeta detêm metade da riqueza residencial global. Por outro lado, acrescenta que 1% dos mais ricos adultos são proprietários de 40% dos ativos imobiliários. Em contraste, cerca da metade da população mundial possui somente 1% dos mesmos ativos.

Os EUA provavelmente tenha sido o país que mais cresceu no século 20. E chegaram longe. Na história americana consta que foi também o primeiro ou um dos primeiros países a investir de forma séria em educação. Já que estamos falando em progresso e desenvolvimento materiais, podemos imaginar que a diferença no esforço para educar a população, encetado pela sociedade americana lá pelos anos de 1890, pôde iniciar o processo diferencial que tanto admira o mundo. As conseqüências dessa estratégia criaram outros tipos de avanços. O grande país do Norte foi o berço de uma quantidade de invenções que fundamentalmente mudou o mundo, foi o primeiro a ter uma cidade inteira abastecida de luz elétrica e energia elétrica (Nova York) e assim por diante. Tudo isto, como pode ser observado pela história, saiu de mentes competentes resultante das iniciativas educacionais, as quais alimentaram o conhecido espírito empreendedor do cidadão americano médio.

Talvez em 20 anos a China se torne a nação número 1 do mundo e já hoje investe intensamente em educação, pesquisas, inovação, ciência e tecnologia, com dispêndios na área nos mesmos volumes norte-americanos. Em educação um aluno médio chinês se aproxima em matemática e outras matérias das primeiras colocações do mundo. Na mesma pesquisa, o nosso aluno médio coloca-se entre os últimos. Enquanto isto, na Coréia, há debates acalorados e intensos a respeito da educação que, recentemente, mereceu uma manchete internacional sobre o “fanatismo coreano pela educação”.

O Brasil tem tudo para crescer e se desenvolver. Parece que precisamos mudar a chave básica de nossa cultura que, até o presente, não tem funcionado a contento. Temos de nos estimular a pensar diferentemente, comemorando muito mais sucessos do que perdermos tempo a destilar ou explicar fracassos. E, com coragem, aplicarmos as necessárias correções de rumo.