O CONHECIMENTO A Velha Nova
Variável Impulsionadora do Crescimento Econômico
das Nações
Ozires Silva Especial para Gazeta Mercantil 07 Maio 2007
Os analistas concordam
que, a partir das comunicações universais
e instantâneas, a disseminação do conhecimento
cresceu de forma significativa e o estoque disponível
das informações passou a se agigantar, podendo
exceder a capacidade individual ou coletiva de uso com eficiência.
Os países que crescem e se desenvolvem usam esse
estoque com particular êxito.
Teorias e práticas
têm sido formuladas para gerir o conhecimento, agora
reconhecido como algo que se pode apropriar e utilizar como
variável significativa, reconhecida como determinante
da competitividade global das nações, na busca
do progresso sustentado. Uma verdadeira revolução
do conhecimento está presente na vida moderna e um
dos elementos característico do novo ambiente é
a crescente taxa de inovação, conseqüência
dos ciclos de vida dos produtos cada vez mais curtos, em
que pese a crescente tendência de sofisticação
daquilo que é fornecido para o consumidor, agora
mais mundial do que nacional.
Este cenário, impregna
na atualidade as estratégias para o crescimento econômico
das regiões e dos países e incluem alguns
aspectos essenciais, a serem observados:
-O conhecimento científico
e o tecnológico passaram a ganhar dimensões
significativas, notando-se que nos países emergentes
as ligações surgem como fracas e pouco eficientes;
-A educação,
o aprendizado contínuo e a especialização
técnica ganharam importância fundamental;
-Tecnologias para conceber,
produzir e vender produtos determinaram mecanismos acelerados
para licenciamentos e transferências entre nações
ou regiões;
-Novas qualificações
individuais foram criadas exigindo diferentes métodos
e processos para escolas ou centros de treinamento formar
especialistas capazes de satisfazer as exigências
do mercado de trabalho.
Infelizmente, as políticas
nacionais e as iniciativas no Brasil falharam e não
proporcionaram bases para taxas de progresso compatíveis
com as observadas pelos países emergentes. As reformas
estruturais, aplicadas em várias regiões do
mundo, ficaram longe dos nossos horizontes de mudanças.
Mesmo se levando em conta o gerenciamento macroeconômico
que caracterizou aqui várias ações
da década dos 90 não conseguiu tornar reais
evoluções comparáveis com as observados
em outras regiões do mundo.
Na comparação do tamanho da nossa economia,
em termos da Paridade do Poder de Compra (PPC), o Brasil
ainda pode ser considerado como a oitava maior economia
do mundo. A última década viu algum progresso
no aumento da renda e na melhoria dos padrões de
vida (IDH), embora distantes do que está sendo conseguido,
por exemplo, pela China e pela Índia. Do mesmo modo,
alguns indicadores mostraram melhorias, como a pobreza,
mas ainda somos um país que mostra significativas
desigualdades.
Mais importante seria observar
que o Brasil também fica atrás, quando se
compara resultados das empresas dentro do nosso corrente
ambiente nacional de negócios. Recentes constatações
de equipes de estudo do Banco Mundial identificaram 80 variáveis
críticas, coletadas em 128 países, consideradas
essenciais, para o estabelecimento de regimes institucionais
sólidos para o crescimento sustentado. Nossas posições
nessa escala de comparações também
se mostram em desvantagem. Em resumo, essas equipes definiram
quatro pilares básicos para o florescimento de economias
do conhecimento:
- Regimes institucionais
e incentivos econômicos sólidos e confiáveis;
- População educada e criativa;
- Infra-estrutura estrutural e de informação
dinâmicas;
- Sistemas de inovações eficientes.
Analisado pelas mesmas equipes
do Banco Mundial, o Brasil, em termos de sua posição
global na Economia do Conhecimento, foi colocado dentro
da distribuição média, mas fica atrás,
por exemplo, do Chile e da Argentina, para não mencionar
os países mais avançados da OCDE – Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Em todos os quatro pilares
nosso país oferece deficiências. Quanto a educação
foram destacados que:
A matrícula no ensino
fundamental embora alta, os resultados têm sido pesadamente
comprometidos pelos problemas das taxas de repetência
e evasão;
Mostra insuficiências na quantidade de matrículas
no ensino superior e isso claramente depende de custos,
os quais se mostram distantes do rendimento médio
do cidadão. Adicionalmente a qualidade do ensino
deixa a desejar, possivelmente conseqüência do
gasto por aluno que se mostra comparativamente muito baixo;
-A média de anos de escolaridade da força
de trabalho e a alfabetização de adultos são
diretamente insuficientes, construindo um débito
social crescente.
Como conclusão, vem
uma pergunta básica e importante: o que fazer, diante
deste cenário de insuficiências?
O Brasil, diferente dos novos
emergentes vem se complicando. Produz uma quantidade de
regras e regulamentos que se alteram em demasia e mudam
os cenários para os investimentos de maneira abrupta
e pouco estável. Nossos indicadores não são
equivalentes aos encontrados no mundo bem sucedido, especialmente
os relacionados com a responsabilidade governativa, estabilidade
política, qualidade regulatória, regras e
volumes da corrupção. Tudo isso precisa ser
cuidado e, embora o país necessite fazer progresso
nos quatro pilares mencionados, os mais importantes parecem
ser os do Regime Econômico e Institucional e da Educação. |