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O POVO DEVERIA PARTICIPAR
Ozires Silva Especial para Gazeta Mercnatil 04 Mar 2007

Cada início de ano representa uma renovação da esperança e de prognósticos que, no Brasil, têm se orientados para os lugares comuns da necessária prosperidade e do aumento da riqueza nacional. Após sucessivos resultados abaixo da macroeconomia mundial a tônica das discussões do final de 2006 e início de 2007 é que as políticas públicas e iniciativas privadas poderiam produzir taxas de desenvolvimento mais em compasso com as observadas no mundo atual.

Os debates estão se centrando nos insuficientes investimentos em infra-estrutura humana e material que nas últimas décadas não aparelharam o país para enfrentar os verdadeiros choques de eficiência e inovação que há tempos empolgam o mundo produtivo, tendo alterado a fotografia do desenvolvimento global. Nestas últimas décadas, países insuspeitados encontraram caminhos para o crescimento econômico que mudaram suas crenças, formação ou comportamento cultural. Do lado dos brasileiros os significativos avanços conseguidos por países recentemente pobres e marginalizados são simplesmente observados a distância, como se fossem alvos inatingíveis. E se perguntam como tudo isto aconteceu? A onda veio do mais velho continente, tendo o Japão à frente, passando pelos Tigres Asiáticos, chegando à Coréia e China de hoje, abrindo perspectivas para novos entrantes.

Portanto, não deixa de ter sentido a busca de respostas para a difícil pergunta: Como eles conseguiram? Neste aspecto os nossos especialistas tentam responder com intermináveis discussões sobre políticas, falta de projetos e de iniciativas, enquanto o governo responde com a necessidade de novas leis, embora o arcabouço legal nacional se situe entre os mais extensos e contraditórios do planeta.

Os países que hoje registram sucesso mostram claramente o importante papel exercido pelo povo que, qualificado sob sistemas amplos e profundamente estimulados, pôde bases fixar novas bases educacionais, culturais e comportamentais que modificaram o passado. Aqueles que se debruçaram sobre o processo de desenvolvimento das nações concordam que a vontade política - partindo de reais estadistas - graças aos conceitos aceitos sobre a capacidade dos governos de agir globalmente, aparece como importante elemento de influência para se conseguir taxas de crescimento mais altas. Por outro lado, as nações que as conseguiram tiveram como ponto de partida políticas públicas de estímulo às infra-estruturas humanas e físicas. Em última análise os resultados vieram de iniciativas da sociedade civil, composta pela população e suas estruturas associativas e empresariais, isto é, o próprio povo.

Entre as diferentes infra-estruturas brasileiras a única que apresenta crescimento e eficiência realmente robustos foram as telecomunicações demonstrando que é efetivamente possível se alterar quadros deficientes, com relativa rapidez. De cerca de 2 milhões de telefones em 1990 o país saltou para cerca de 140 milhões em 2006, entre fixos e celulares, abrindo oportunidades e impulsionando negócios. Notas altas precisam ser dadas ao abastecimento de combustíveis para veículos, com grande participação da PETROBRAS e para a privatização de estradas de rodagem que, implantada em certas regiões, alterou o quadro desastroso que ainda se observa hoje na maior parte da malha rodoviária brasileira.

Já em outros segmentos como energia elétrica, transporte ferroviário e marítimo, circulação nas cidades, entre outros segmentos, ainda há muito por fazer. Note-se que muito do que não se conseguiu veio de monopólios estatais ou de setores asfixiados por regras e regulamentos pétreos, que não são modificados.

Novamente vem a pergunta: O que nos acontece? Por que estamos engessados? Será que não há meios para se estimular o progresso e o desenvolvimento? Será que permaneceremos estagnados, distantes de um mundo que se altera com rapidez? Será que não teremos coragem de mudar o que precisa ser mudado?

Precisamos compreender que estamos num país realmente fantástico, rico pela sua natureza, e com todas as condições para se apresentar no contexto mundial de forma diferenciada e participando vigorosamente do mercado mundial. Em vários segmentos da atividade econômica já foi demonstrado que não há razões para se julgar que empreendimentos nacionais não possam ser vitoriosos.

Em que pesem as deficiências, muitas diagnosticadas possivelmente até em excesso, os mecanismos para o progresso e o crescimento muito dependem do próprio povo que, através de sua sociedade organizada, cria e ativa mecanismos de pressão, colocando as autoridades na defensiva, produzindo os resultados postulados e ambicionados pelos cidadãos.